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Kia Rio

Na quarta geração, hatch compacto estreia no Brasil para encarar as versões de topo dos rivais

 

O lançamento do Kia Rio no Brasil havia virado uma espécie de lenda urbana no mercado. Afinal, o hatch era prometido pelo importador há quase duas décadas. Em 2018, a quarta geração do hatch foi exibida no Salão do Automóvel de São Paulo, com a promessa de que estrearia por aqui quando o câmbio estivesse mais estável. Mesmo com o dólar em patamar recorde – acima dos R$ 4,20, a Kia desistiu de esperar e finalmente trouxe o Rio ao Brasil neste início de 2020.

O modelo chega nos pacotes LX (R$ 69.990) e EX (R$ 78.990), sem opcionais. De série, o compacto traz controles de estabilidade e tração, assistente de saída em rampas, central multimídia com tela de 7 polegadas e compatibilidade com Android Auto e Apple CarPlay, faróis de neblina, rodas de liga leve de 15 polegadas, câmera de ré, monitoramento da pressão dos pneus, controle de frenagem em curvas e acendimento automático dos faróis.

Kia Rio

A topo de linha EX acrescenta bancos e volante com revestimento em couro, controle de cruzeiro, ar-condicionado digital automático, faróis halógenos com bloco elíptico e luzes de rodagem diurna em LED, luz de assistência de manobras (acende o facho baixo – e não o farol de neblina – ao girar o volante em baixas velocidades) e retrovisores externos com rebatimento elétrico, aquecimento e luz indicadora de direção integrada. A Kia promete para breve uma nova versão de topo com rodas de 17 polegadas de série, mas não revelou os preços.

O Rio é feito na plataforma GB, a mesma que dá origem ao Kia Stonic e ao Hyundai i20, restritos a outros mercados. O hatch tem 4.065 mm comprimento, 1.725 mm de largura, 1.450 mm de altura e 2.580 mm de distância entre eixos. No porta-malas, a capacidade é de 325 litros. Para efeito de comparação, ele é 125 mm mais comprido, 5 mm mais largo e 20 mm mais baixo que um Hyundai HB20 (este construído em Piracicaba na plataforma PB). No entre-eixos, a vantagem do Kia sobre o primo da Hyundai é de 50 mm.

Kia Rio

Fabricado no México, o Rio vendido no Brasil traz sempre o mesmo conjunto mecânico, formado pelo conhecido motor 1.6 16V de 130/123 cv (E/G) e 16,5/16 kgfm (E/G) e câmbio automático de seis marchas (com opção de trocas manuais pela alavanca).

Impressões ao dirigir

Nosso breve contato ao volante do Rio aconteceu em um curto test-drive nos arredores do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP). No trecho de aproximadamente 10 km, o Rio destacou-se pelo silêncio a bordo. O motor 1.6 entrega boa dose de potência em acelerações, mas o câmbio traz ajuste que prioriza a potência, trocando marchas um tanto cedo. Junto ao ajuste de suspensão macio, percebe-se que a marca priorizou o conforto em detrimento da esportividade – talvez uma tática para fisgar antigos clientes do Cerato 1.6?

Kia Rio

O acabamento é um destaque nesta versão EX, com materiais levemente emborrachados em parte do painel e portas, até mesmo as de trás. O espaço para ocupantes também satisfaz, especialmente pelo piso traseiro com túnel baixo. A posição de dirigir é boa, embora falte a regulagem de distância do volante, ajustável somente em altura. Outras faltas sentidas são as de mais airbags (há somente os obrigatórios frontais) e a da função descida/subida automáticas para todos os vidros (na EX, há somente para a janela do motorista).

Segundo dados do Inmetro, o consumo urbano é de 7,2 km/l e 10,5 km/l com etanol e gasolina, respectivamente. Já na estrada, as médias são de 9,3 e 13,4 km/l com o combustível vegetal e o derivado do petróleo, na ordem. Se o proprietário do Rio quiser aferir o consumo do veículo, terá que fazer o cálculo à moda antiga, na bomba de combustível, pois o computador de bordo não indica o consumo – problema compartilhado por outros Kia com motores flex, como Sportage e Cerato.

Kia Rio

Neste primeiro contato, o hatch da Kia mostrou bons atributos, como espaço interno, silêncio a bordo, conforto ao rodar e acabamento. Porém, a espera por quase duas décadas fez a concorrência crescer, o que significa que o Rio de 2020 terá de encarar nomes de peso como Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Volkswagen Polo, Fiat Argo e Toyota Yaris, entre outros. Não por acaso, a meta da Kia é modesta, com expectativa de comercializar 2.400 unidades do Rio em 2020 (média de 200 carros por mês).

Fotos | Divulgação

 

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